Brinquedos squishy: riscos, certificação Inmetro e cuidados para fabricantes e importadores

Os brinquedos squishy ganharam popularidade por serem macios, coloridos e retornarem lentamente ao formato original depois de apertados. Ao mesmo tempo, casos recentes de acidentes chamaram a atenção para os riscos de aquecer, cortar, perfurar ou modificar esses produtos.

Após esses episódios, o Inmetro publicou um alerta orientando consumidores a verificar a procedência, a faixa etária, as informações de segurança e o Selo de Identificação da Conformidade. O Instituto também recomendou que squishies não sejam colocados no micro-ondas, forno ou próximos a outras fontes intensas de calor.

Para fabricantes e importadores, o assunto vai além da orientação ao consumidor. Quando comercializado como brinquedo, o squishy precisa seguir as regras aplicáveis à categoria, o que pode envolver certificação compulsória, Registro de Objeto, ensaios e informações obrigatórias na embalagem.

Por isso, antes de fabricar ou importar um lote, é importante entender exatamente qual produto será colocado no mercado.

O que são brinquedos squishy?

Squishies são produtos flexíveis encontrados em diferentes formatos, como animais, alimentos e personagens. Quando apertados, eles se deformam e retornam gradualmente à forma original. Embora sejam comercializados sob o mesmo nome, esses brinquedos não possuem necessariamente a mesma construção. Alguns são produzidos com espumas ou materiais macios. Outros podem conter gel, líquido, esferas de água ou diferentes tipos de preenchimento.

Essa diferença é importante porque a composição influencia os riscos do produto, os documentos que devem ser solicitados ao fabricante e os ensaios necessários para a certificação. Na prática, não basta informar ao consultor, ao laboratório ou ao organismo certificador que o produto é um “squishy”. É necessário apresentar sua composição, forma de preenchimento, dimensões, faixa etária, fotografias, embalagem e informações da fábrica.

Brinquedos squishy precisam de certificação do Inmetro?

Quando enquadrado e comercializado como brinquedo, o squishy precisa atender às regras do Inmetro aplicáveis a essa categoria.

No Brasil, a Portaria Inmetro nº 302/2021 reúne as regras que fabricantes e importadores devem observar para certificar e comercializar brinquedos.

Os produtos abrangidos por essa regulamentação devem passar pela certificação compulsória e obter o Registro de Objeto necessário à comercialização no país. Isso significa que o processo precisa ser planejado antes da fabricação em escala ou do embarque do lote comercial.

Importar primeiro e avaliar depois pode gerar retrabalho, especialmente quando a análise identifica diferenças na composição, na embalagem, na faixa etária ou nas informações do fabricante.

Como funciona a certificação de um squishy?

A certificação é conduzida por um Organismo de Certificação de Produto, conhecido como OCP. Esse organismo avalia se o brinquedo e sua documentação atendem aos requisitos aplicáveis.

Conforme o modelo de certificação aplicável, o processo pode incluir análise de documentos, definição dos produtos que formarão a família, seleção de amostras, ensaios e avaliação da fábrica.

Depois da conclusão da certificação, ainda é necessário observar as etapas aplicáveis ao Registro de Objeto e à utilização do Selo de Identificação da Conformidade. A empresa não precisa dominar sozinha todos esses procedimentos. O papel da consultoria regulatória é analisar o produto, organizar as informações e orientar o caminho adequado antes que decisões comerciais difíceis de reverter sejam tomadas.

Por que aquecer um squishy pode ser perigoso?

O alerta publicado pelo Inmetro informa que aquecer, cortar ou perfurar o brinquedo pode provocar acidentes. Quando um squishy é colocado no micro-ondas, forno ou próximo a uma fonte intensa de calor, o conteúdo interno pode atingir uma temperatura elevada. Nem sempre essa temperatura é percebida pela parte externa. Se o revestimento se romper quando o brinquedo for apertado, o material aquecido pode atingir a pele e causar queimaduras.

Cortar ou perfurar o produto também pode liberar o conteúdo interno, desprender pequenas partes ou permitir o contato com materiais que deveriam permanecer inacessíveis durante o uso normal. Por isso, o brinquedo deve ser utilizado somente da maneira indicada pelo fabricante. Vídeos que incentivam modificações não substituem as instruções e advertências da embalagem.

Todos os squishies apresentam os mesmos riscos?

Não. Os riscos dependem da construção, dos materiais, do preenchimento e da faixa etária do produto. Em 2026, por exemplo, autoridades dos Estados Unidos determinaram o recolhimento de modelos específicos de squishies que continham esferas de água.

Os recalls envolveram aproximadamente 8 mil unidades do modelo “GIHNJSI Squeezy Dumplings” e 7.200 unidades do “Rainbow Mystery Squishy Bun”. Segundo a Consumer Product Safety Commission, a CPSC, as esferas poderiam crescer depois de ingeridas e provocar engasgo ou obstrução intestinal.

Esses recalls não alcançaram todos os squishies. Eles estavam relacionados a produtos e construções determinados. Esse exemplo mostra por que fabricantes e importadores precisam conhecer a configuração de cada modelo. Um produto não deve ser considerado regular apenas porque outro brinquedo visualmente semelhante passou por uma avaliação.

O que deve ser analisado antes de fabricar ou importar?

Antes de autorizar a produção ou o embarque de um lote, a empresa deve reunir informações suficientes para avaliar o produto e planejar sua regularização.

Enquadramento do produto

A primeira etapa é confirmar se o item se enquadra como brinquedo e quais exigências se aplicam. Essa análise considera a finalidade, a faixa etária, a forma de uso, a apresentação da embalagem e a maneira como o produto será anunciado. O nome escolhido pelo fornecedor não determina sozinho o enquadramento regulatório.

Documentação do fabricante

A empresa deve solicitar a identificação completa da fábrica, as especificações técnicas, as fotografias, as dimensões, os materiais utilizados e a relação dos modelos. Também é importante confirmar se todos os documentos se referem à mesma unidade fabril que produzirá o lote comercial.

Modelos e formação da família

Cores e formatos diferentes podem, em alguns casos, pertencer à mesma família. Entretanto, mudanças no material, no preenchimento, na dimensão ou no processo produtivo podem exigir outra avaliação. A definição da família não deve ser feita apenas com base na aparência dos produtos.

Antes de incluir vários modelos no mesmo processo, é necessário verificar se as diferenças existentes são aceitas pela regulamentação e pelo organismo responsável pela certificação.

Amostra e produção

A amostra enviada para os ensaios precisa representar o produto que será fabricado em escala. Mudanças no revestimento, no preenchimento, nos materiais ou na unidade fabril devem ser avaliadas antes de serem aplicadas ao lote comercial.

Embalagem e informações ao consumidor

A embalagem faz parte da análise regulatória. Devem ser verificados a faixa etária, as advertências, as instruções de uso, a identificação do fabricante ou importador e as demais marcações exigidas para o produto.

A faixa etária não deve ser definida apenas por interesse comercial. Ela precisa ser compatível com as características do brinquedo e com os riscos identificados. Também é importante evitar orientações de uso que contrariem as condições consideradas na avaliação do produto.

Certificação e Registro de Objeto

A certificação e o Registro de Objeto são etapas relacionadas, mas não representam a mesma coisa.

O certificado é emitido pelo OCP após a avaliação da conformidade. O registro é a autorização do Inmetro necessária para a disponibilização do produto no mercado, quando exigida pela regulamentação.

Por isso, concluir os ensaios ou receber o certificado não significa, por si só, que todas as etapas regulatórias estejam encerradas.

Selo de Identificação da Conformidade

A utilização do selo deve seguir as regras aplicáveis ao brinquedo e à forma de apresentação do produto. Não basta inserir uma imagem do selo na embalagem sem verificar o padrão, a localização e as informações que precisam acompanhá-lo. A arte deve ser revisada antes da impressão definitiva do lote.

O Selo do Inmetro elimina todos os riscos?

Não. O Selo de Identificação da Conformidade demonstra que o produto passou pelo processo de avaliação previsto na regulamentação aplicável. Isso não significa que qualquer maneira de utilizar o brinquedo seja segura.

A certificação considera a construção do produto e seu uso previsto. Aquecer, cortar, abrir ou perfurar o squishy são práticas que não fazem parte da utilização recomendada. A segurança também depende da clareza das advertências, do controle da produção e do respeito às instruções fornecidas. Na hora da compra, o consumidor deve verificar não apenas o selo, mas também a procedência, a faixa etária, as advertências e a identificação do fabricante ou importador.

Quando o uso do squishy deve ser interrompido?

Segundo o Inmetro, o uso deve ser interrompido quando o brinquedo apresentar:

  • rasgos, furos ou fissuras;
  • vazamento de gel, líquido ou outro material;
  • partes se desprendendo;
  • superfície excessivamente pegajosa ou oleosa;
  • odor químico muito forte.

O produto também não deve ser colocado no micro-ondas ou forno, exposto a fontes intensas de calor, cortado, perfurado ou aberto. Essas orientações precisam ser consideradas não apenas pelo consumidor, mas também por quem desenvolve a embalagem e define as instruções que acompanharão o brinquedo.

O que fazer diante de uma reclamação ou acidente?

Uma reclamação envolvendo rompimento, vazamento, odor forte ou lesão não deve ser tratada apenas como uma troca comercial. A empresa precisa identificar o modelo, o lote, a fábrica e a configuração envolvida. Também deve verificar se houve alguma alteração em relação ao produto certificado e se outras unidades podem apresentar o mesmo problema.

A rastreabilidade é essencial nesse momento. Sem informações sobre o lote e a produção, torna-se mais difícil entender a origem da ocorrência e definir uma ação adequada. Dependendo do caso, pode ser necessário consultar o OCP, revisar documentos, avaliar novas amostras ou adotar medidas corretivas.

Acidentes e incidentes de consumo também podem ser registrados no Sistema Inmetro de Monitoramento de Acidentes de Consumo, o Sinmac.

Como a In-Order pode auxiliar na certificação de squishies?

A In-Order acompanha fabricantes e importadores durante as etapas necessárias para regularizar brinquedos sujeitos ao Inmetro.

O suporte pode começar pela análise preliminar do squishy, antes da contratação da produção. A equipe avalia as características do produto, a documentação disponível e o caminho regulatório aplicável.

Durante o processo, a In-Order auxilia na comunicação com OCPs e laboratórios, na organização dos documentos, no acompanhamento das amostras e na revisão das informações que serão apresentadas ao consumidor.

Antes de fabricar ou importar um brinquedo squishy, envie as especificações, a composição, as fotografias, a embalagem e os dados da fábrica para uma análise regulatória. Entre em contato!

 

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